Prostituição e Copa

Muito se tem falado sobre os problemas sociais que se evidenciam antes e durante o período da realização da Copa do Mundo no Brasil. Além das remoções de moradia, aumento da repressão policial e falta de investimentos públicos, que afetam diretamente a vida das mulheres, devemos salientar que, com a realização de megaeventos, agrava-se também a exploração sexual. Antes da realização da Copa, podemos perceber que são criadas zonas de exploração sexual próximas às construções dos estádios, como ocorreu ao redor das obras no Itaquerão, por exemplo. Durante a realização da Copa, temos um aumento da demanda por prostituição, inclusive incentivada internacionalmente de diferentes formas.
Reconhecendo a sociedade machista/patriarcal e capitalista em que vivemos, consideramos inaceitável que a prostituição continue a ser naturalizada e, mais do que isso, equiparada a qualquer “prestação de serviços”: a prostituição é uma apropriação do corpo das mulheres pelos homens. Em época de Copa, é importante notarmos que para as mulheres (principalmente as mulheres negras) e para outros grupos em situação de vulnerabilidade social (como travestis), as necessidades financeiras somam-se à visão difundida de seus corpos como mercadorias, ao imaginário racista da “mulata lasciva/devassa”, ao aliciamento por terceiros e à demanda masculina, agravando o quadro do tráfico e da exploração sexual.
porque-você-pagaMais do que isso, com a Copa do Mundo, é grande a pressão para que o governo adote uma posição de legalização da prostituição, como se verificou na Alemanha e na África do Sul (duas últimas sedes do evento organizado pela FIFA). Em 2006, por exemplo, durante a Copa do Mundo na Alemanha, 40 mil mulheres foram levadas para bordéis quase que patrocinados pela FIFA e o país legalizou as casas de prostituição. No Brasil, o projeto de lei que tem representado essa posição é o chamado PL Gabriela Leite, apresentado pelo deputado Jean Wyllys (PSOL).
Por trás de um discurso de garantia de direitos, o que esse projeto mais estabelece são alterações no Código Penal brasileiro, buscando legalizar casas de prostituição (o que atualmente é uma prática ilegal). Mais que isso, o projeto sustenta que a prostituição seria um trabalho como outro qualquer, insistindo em uma falsa diferenciação entre ‘prostituição’ e ‘exploração sexual’ e tomando como dada a ideia de que a prostituição é uma livre escolha das mulheres. Dessa forma, ele perpetua ideias e relações de exploração machistas/patriarcais.
Devemos pressionar para que o governo pense nos interesses das mulheres e não no lucro dos cafetões ou na comodidade dos consumidores! Defendemos um modelo abolicionista da prostituição:

1. Nenhuma criminalização às mulheres em situação de prostituição. Por políticas que promovam a saída das mulheres da prostituição e da marginalização social.
2. Por uma lei que criminalize a compra de qualquer ato sexual. Pela responsabilização e criminalização do consumo de sexo.
3. Por mais fiscalização e pela criminalização de qualquer forma de agenciamento, controle ou aliciamento na prostituição. Pela criminalização da cafetinagem, das casas de prostituição e das redes de tráfico sexual.
4. Por mais políticas sociais voltadas para as mulheres, por equiparidade salarial entre homens e mulheres e por políticas e campanhas de prevenção à prostituição.

PARE A DEMANDA POR SEXO PROSTITUÍDO!
PELA ABOLIÇÃO DA PROSTITUIÇÃO, PELA VIDA DAS MULHERES!

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2 pensamentos sobre “Prostituição e Copa

  1. òtimo texto. Mas queria fazer uma pergunta: porque a pornografia quase nunca é colocada como parte da prostituição. Ao menos isso não fica em evidência.

  2. Olá Najla,

    Neste texto, que foi panfletado para a população num período de Copa, procuramos nos concentrar naquilo que nos parece mais apropriado neste momento, que seria a demanda por sexo prostituído com o aumento do afluxo de estrangeiros para o Brasil. Não teríamos espaço suficiente para aprofundar na discussão da pornografia, que precisa ser bem delineada a ponto de as pessoas compreenderem as relações entre prostituição e pornografia, que nem sempre são tão claras.
    Para além disso, ainda não avançamos muito sobre a discussão da pornografia no Comitê, algo que, esperamos, possamos fazer. O Comitê está aberto à propostas e as reuniões podem ser frequentadas por qualquer pessoa com um posicionamento abolicionista.

    Abraços,
    Comitê pela Abolição da Prostituição

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